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  • fredericopereira191

Carteira Simulada do Zap 27/9/2019


Carteira Simulada setembro 2019

No dia que o Ibovespa atingiu os 100 mil pontos pela primeira vez, eu fiz uma carteira simulada de ações no valor de 100 mil reais para os amigos do grupo de investimentos no WhatsApp, de lá pra cá venho atualizando essa carteira sempre que faço uma alteração ou a trimestralmente.


A ideia é mostrar que o investimento em ações não é nenhum "bicho de 7 cabeças", que não tem problema de comprar ações no topo, desde que você saiba o que está fazendo, que esteja comprando ações baratas de empresas prósperas e lucrativas.


Pessoal me pediu para fazer uns comentários sobre as ações, então resolvi escrever esse texto, para falar um pouco das ações que compõe a carteira atualmente. Vamos lá!





BRSR6 - Banrisul


É o banco do Estado do RS. Um dos poucos bancos estaduais que ainda não foram privatizados, até porque é muito rentável.


O Governo Estadual costuma fazer o Banrisul pagar bons dividendos, para ajudar nas contas públicas, o que garante o mesmo para o acionista. Além disso, o banco negocia a quase metade do múltiplo dos seus pares, o que nos permite esperar uma valorização interessante se for privatizado.


Acontece que o RS é um dos Estados com mais problemas financeiros, o que significa que precisará da ajuda do Governo Federal para pagar as contas (já parcela salário de servidores). É muito provavel que a ajuda seja dada em troca do cumprimento de algumas exigências, como a privatização de ativos, o que deve incluir o Banrisul.


Ou seja, BRSR6 tem bons dividendos e potencial de uns 50% de valorização só para equilibrar com os pares.



VULC3 - Vulcabrás


Comecemos pelas marcas: Olympikus, Azaleia e Under Amour. Além de outros produtos, a empresa é uma indústria reformada e pronta para aproveitar a retomada do consumo brasileiro.


Não faz sentido uma empresa com todas essas marcas e presença nacional estar negociando na média do P/L, ela deveria negociar a múltiplos mais altos, parecido com seus pares.


Mas isso é compreensível quando você vê o ceticismo com o desempenho da economia nacional, principalmente quanto ao governo, então ela só deve começar a subir com a aceleração da economia, o que deve acontecer nos próximos anos.



GGBR4 - Gerdau


Se você falar com alguém em Porto Alegre, São Luís, Santiago, Lima, Cidade do México, Miami, Seatle ou Toronto, do setor de construção civil, perguntando pelas marcas dos produtos que eles usam, vai ter poucas empresas que estarão entre as líderes em todos esses lugares que vão do extremo sul ao extremo do que chamamos de América, uma delas será a Gerdau.


É por isso que é inexplicável que a ação esteja sendo negociada por menos do que o valor patrimonial! Mas isso não é estranho para quem acompanha o mercado financeiro a algum tempo, em setores cíclicos como o da Gerdau, essas coisas acontecem, geram oportunidades como essa.



LLIS3 - Restoque


Outro caso olhando para a retomada do varejo, as marcas aqui são ainda mais relevantes: Le Lis Blanc, Dudalina, John John, Bobô, Rosa Chá, Individual e Base.


Assim como Gerdau, não faz sentido estar negociando abaixo do valor patrimonial, mas aqui não é ciclo do setor, é da economia. Além de dois motivos internos:


- a empresa cresceu muito e alavancando, não deu muito certo, a crise pegou a empresa, a dívida cresceu muito e o mercado bateu, só agora estão se recuperando, o que é bom;


- a empresa tem uma quantidade de ações negociadas a mercado muito baixo, o que impossibilita grandes investidores institucionais de entrar, ou seja, fica meio largada;


Primeiro, a empresa já está melhor financeiramente; segundo, se começar a entregar lucro com economia melhorando, muita gente vai querer comprar e a pouca quantidade de ação disponível deve fazer a ação subir rápido.



AGRO3 - BrasilAgro


Você já deve ter visto a expressão: "O Brasil é o celeiro do mundo". Pois é, demanda forte e constante por produto.


Você já deve ter visto também que o Brasil é uma das economias mais fechadas do mundo, para você ter uma ideia, estrangeiros não podem comprar terra no Brasil. Então veículos de investimento nesse setor são raros.


Bom, a BrasilAgro é uma empresa que oferece as duas coisas: exposição ao agronegócio e participação em fazendas que são vendidas por preços altos. É agronegócio e desenvolvimento de imóveis ao mesmo tempo.


As duas coisas por menos que o valor patrimonial e num momento em que o governo procura abrir a economia para investimentos, me parece uma boa combinação.



VVAR3 - Via Varejo


Essa é a maior varejista de eletrodomésticos do país, com duas das maiores marcas nacionais: Casas Bahia e Ponto Frio. Mas ainda é negociada como se fosse uma das menores.


Não é injustificado, a empresa passou vários anos sendo "não administrada", como um braço menos interessante do grupo Cassino, uma holding francesa. Durante esse período a concorrência "nadou de braçada", principalmente no online.


Acontece que agora um grupo de gestoras de fundos de investimento em ações se aliou ao antigo controlador da Casas Bahia, a família Klein, e assumiram a empresa para fazer um turnaround, o que já fez o preço avançar muito e deve fazer muito mais.



PFRM3 - ProFarma


Esse é um caso de especulação que é puro preço! A empresa é uma das maiores distribuidoras de remédio do país e resolveu fazer varejo também, deu muito errado e hoje negocia a preços extremamente baixos.


Normal, mas a probabilidade da empresa quebrar é muito baixa, o ramo de negócios é um dos mais resilientes que há. Então, a possibilidade de grande perda aqui é muito baixa. Enquanto a possibilidade de ganho é alta.


Se a empresa conseguir melhorar a parte financeira, deve ser negociada pelo menos por pouco mais que o valor patrimonial, o que já seria uma valorização significativa.



TRPL4 - Transmissão Paulista (ISA CTEEP)


Uma empresa de energia como essa não devia negociar tão barato, principalmente se considerarmos o volume de dividendos que paga, é uma bela oportunidade para investidores pequenos.


O preço baixo pode ser explicado pelo problema de governança que afasta grandes investidores, mas que não parece ser um problema para quem não tem risco alto, já que a empresa continua pagando bons dividendos e gerando lucros consistentemente.


Não espere grande crescimento de uma ação como essa, mas receba bons dividendos, essa é a ideia. A empresa tem contratos de longuíssimo prazo de transmissão de energia, que tem receita definida e custos caindo com adoção de novas tecnologias.



CPLE6 - Copel


Se uma empresa de energia negociar a preços baixos já é estranho, se ela negociar abaixo do valor patrimonial é uma coisa absurda, a não ser que tenha problemas muito sérios, o que não parece ser o caso de CPLE6.


Pelo contrário, a empresa está se arrumando, vendendo ativos que não são negócio principal da empresa, esse ceticismo do mercado com o Governo Estadual do Paraná está se provando uma tremenda oportunidade de comprar um negócio barato e forte pagador de dividendos.


Considere que uma privatização é pouco provável, mas não impossível, daí o negócio ainda pode ter um bônus, o que seria ainda mais interessante. Lembre-se que uma concessionário de energia bem administrada pode valer muito, dê uma olhada em Equatorial.



MOVI3 - Movida


Aqui um negócio que pode crescer muito, se os políticos não estragarem tudo.


As 3 maiores locadoras de carro do país podem crescer e rentabilizar demais se o modelo atual continuar, pois tem custos de aquisição de veículos e de capital muito menor do que as concorrentes menores.


O preço delas no mercado já aponta isso, mas hoje li coisas muito ruins acontecendo no Congresso, parece que estão tentando dar uma canetada no setor, vamos acompanhar isso aí e se for melhor, trocar Movida por outra empresa.



ELET6 - Eletrobrás


Essa aqui é um colosso que dispensa apresentações, está para energia elétrica como a Petrobrás para o petróleo. Acontece que a empresa deve pagar bons dividendos, para ajudar o governo a fechar as contas, está negociando a preços baixos e, o melhor, está em processo de privatização.


Não preciso dizer que não faz sentido isso estar sendo negociado próximo ao valor patrimonial, pois o mínimo a esperar aqui é que a empresa passe por uma melhora significativa em sua administração, vale aqui o mesmo ceticismo que o mercado tem com CPLE6.


É importante observar o seguinte, essa privatização é essencial para a equipe econômica do governo, é meta de curto prazo! Então, ao contrário de CPLE6, a valorização que pode vir de uma privatização aqui é fato que tem grande probabilidade.



SUZB3 - Suzano


Lembra do que conversamos sobre Gerdau, de setores cíclicos que costumam gerar oportunidades de comprar empresas a preços baixos, Suzano é outro caso como esse, o preço da celulose está muito baixo.


A Suzano é a maior empresa de celulose do mundo, que tem uma barreira de entrada "geográfica" semelhante a que a Vale tem no minério de ferro. Outra questão bem do Brasil, grandes florestas de eucalipto e ainda muito espaço para isso.


Acontece que quando o preço da materia prima de um setor como esse cai, as empresas menores quebram ou são vendidas, no final do ciclo de baixa as empresas maiores prevalecem e saem mais fortes, é o que deve acontecer com Suzano.



GUAR3 - Guararapes


Eu já escrevi um texto só para ela, acesse: Porque estou comprando ações de Riachuelo?



ENBR3 - Energias do Brasil


Faça um exercício prático, abra uma plataforma gráfica e coloque o código EQTL3, da Equatorial, a concessionária de energia mais admirada do Brasil, o benchmark do setor.


É lindo neh? Acontece o seguinte, Localiza fez a mesma coisa no setor de locação, ela mostrou para todo mundo como é que se fazia o negócio e fez com que outras empresas procurassem fazer o mesmo, é por isso que nós vimos MOVI3 e LCAM3 subindo muito, porque elas resolveram fazer o mesmo que Localiza.


Agora ligue os pontos, ENBR3 está declaradamente procurando replicar o que Equatorial fez nas concessões, ou seja, se der certo, o que é bem provável, ENBR3 deve se aproximar de Equatorial em múltiplos de preços, isso faria com que o preço subisse muito. Isso tudo em um setor resiliente demais!


VALE3 - Vale


Vamos deixar uma coisa clara aqui: o preço de negociação atual ainda reflete as tragédias em Minas Gerais, foi muito ruim para todo mundo, mas a empresa continua.


Quando a gente olha para empresa, mesmo considerando os danos das tragédias, nós temos a maior mineradora do mundo, uma empresa que tem um "controle parcial" dos preços no mercado, derivado tanto da qualidade do produto, como do tamanho do negócio.


Nos números isso se reflete em margens de lucro enormes, geração de caixa enorme e prováveis dividendos muito altos. O fato de a empresa ter que "maquiar" o balanço para não divulgar os lucros, mostra isso.


Quando falamos em investimentos, não dá pra ignorar isso.


OIBR3 - Oi


Oi é a especulação do momento. A questão é que a empresa tem uma estrutura enorme, torres, fibra e etc; o suficiente para ser um player significativo e uma excelente forma de entrar no disputado mercado de dados do Brasil.


O valor indiscutível da empresa fica evidente na capacidade dessa empresa ainda estar viva, depois de ser "literalmente" saqueada por muitos anos. Mesmo depois de vários anos, ainda tem gente que acredita que agora, com acionistas e administração de qualidade, a empresa pode se recuperar e gerar retornos interessantes.


Não adianta eu me alongar aqui em explicações, o fato é o seguinte: o preço já justifica comprar, é muito baixo, é ridículo! Mas se você quiser ir além disso, tenha em mente que qualquer player internacional que queira entrar nesse mercado vê a Oi como uma forma fácil de entrar e que seus concorrentes tem total interesse em comprar a empresa.



TESA3 - Tesa


Tesa é outro caso de preço, apesar do ceticismo justificado com a capacidade de entrega de um turnaround pela empresa que ja prometeu isso diversas vezes, uma empresa com a quantidade de terra que essa tem, não faz sentido negociar 0,30 do valor patrimonial.


Numa condição como essa de preço, qualquer evolução, por menor que seja, na condição financeira da empresa, o que deve acontecer com a melhora da economia do país, já pode fazer o preço subir demais. É pura assimetria.


Se colocar no cenário que, apesar do histórico, pode ser que dessa vez eles consigam entregar as promessas, daí estamos olhando para um ativo que pode mais que dobrar de preço nos próximos anos.



Carteira Simulada do Zap - 27/9/2019


É isso, gostaria de lembrar que isso não é recomendação de investimento, é uma carteira simulada para aprendizado, para ajudar as pessoas a quebrar esse preconceito idiota com o investimento em ações.




Muito obrigado por ler meu texto e boa sorte!

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