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  • fredericopereira191

Game of Thrones I – O Cavaleiro da Muralha


Jon Snow e Fantasma próximos à muralha

Game of Thrones I – O Cavaleiro da Muralha é o primeiro texto que mostra como as Crônicas de Gelo e Fogo, a obra que deu origem à série de TV Game of Thrones, é uma releitura da história ocidental sob a perspectiva dos povos de língua inglesa.


O texto de hoje não tem nada a ver com investimentos, a não ser o fato de que todo grande investidor tem uma boa noção da história.


Sei que não é o foco do blog, mas falei que ia lendo e escrevendo, já li todos os livros, assisti a série inteira e me espanta que as pessoas não percebam as conexões óbvias com a realidade, isso fica voltando nas minhas reflexões, então é melhor colocar em texto.


A obra


Quem assistiu Game of Thornes e tem uma noção básica da história ocidental nos últimos 3 mil anos, percebeu que George R.R. Martin criou uma obra contando tudo isso sob o ponto de vista do povo de língua inglesa, principalmente os últimos 2 mil anos.


Ele foi além disso, fez isso selecionando alguns personagens históricos e criando os protagonistas da obra com as mesmas características.


Ele foi ainda mais além, fez isso fazendo com que os próprios personagens contassem o que estava acontecendo.


Enfim, a obra é inigualável nessa missão de resumir os últimos milênios da civilização ocidental, fazendo com que seja ótima para aprender essa história.


São vários personagens e lugares, cada um merecendo um texto, que espero conseguir colocar aqui, hoje começamos com o Cavaleiro da Muralha.


A Muralha


Uma descrição genérica: a muralha ao norte do território protege o reino contra bárbaros que vivem além da muralha, a maioria não sabe como foi construída, mas parece obra de “gigantes”, seres mágicos, uma invasão é sempre iminente e um grupo de cavaleiros guarda a muralha.


Essa descrição serve para duas muralhas, a de Game of Thrones e a de Adriano. Ou melhor, uma ilustra a outra.


A muralha de Adriano no Reino Unido

Nos tempos do nosso cavaleiro, os habitantes não conheciam o cimento, material que tinha sido utilizado na muralha, nem como mover pedras tão grandes, o que os levava a achar que a muralha era “mágica”. Em Game of Thrones era o mesmo, as lendas sobre a construção eram variadas.


Adriano foi um imperador romano, ele mandou construir uma muralha na Inglaterra, na época território de Roma denominado Bretânia, atravessava toda a ilha e protegia os bretões dos povos do norte, invasores ou não.


Ainda é possível visitar pedaços da muralha nos dias atuais, como mostra a imagem acima.


Quem morava atrás da muralha estava sob o Imperio Romano, quem morava além da muralha era considerado bárbaro, ou selvagem, quem não obedecia às leis de Roma.


A Muralha de Adriano no mapa, com ilustrações.

Ligando os pontos, quem morava atrás da muralha em Game of Thrones era cidadão dos Sete Reinos, seguia as leis de Porto Real; quem morava além da muralha era selvagem.


A muralha de Game of Thrones também está ao norte e protege todo o território, dos chamados Sete Reinos, que tem como capital uma cidade bem ao sul (claro que teremos o texto de Roma e Porto Real).


Os cavaleiros que defendiam a Muralha


Outra descrição genérica: a muralha era defendida por homens considerados de menor valor, que adotavam uma conduta diferente e praticavam atos de heroísmo ao defender o território.


A Patrulha da Noite era de homens condenados, como o Lorde Comandante, por crime que o filho cometeu.

Óbvio que nenhum cidadão ou cavaleiro romano queria ser designado para um posto tão longe de casa, tão longe de Roma, o mesmo valia para Germânia, Grécia, Levante, etc.


Então para essas regiões os designados eram “bárbaros” ou “escravos”, cavaleiros de “menor valor”, quase criminosos, que não pertenciam à elite romana ou não cultivavam das mesmas crenças.


Em Game of Thrones os cavaleiros eram organizados na Patrulha da Noite, eram filhos bastardos, criminosos, etc; homens de menor valor, que não estavam aptos à elite dos reinos, mas que serviam para outros desafios.


Na muralha de Adriano, em algum momento não determinado, um cavaleiro criou a “ordem” dos Cavaleiros da Távola Redonda, um grupo de cavaleiros de “menor valor”, que liderados por ele, defendiam a muralha obtendo sucesso nas situações mais improváveis.


Uma ilustração da Távola Redonda


Antes do cavaleiro, a espada!


Mais uma descrição genérica: um cavaleiro nortenho tem uma espada “mágica” que lhe dá poderes únicos, com a qual exerce a liderança em combate para vencer batalhas contra probabilidades muito adversas.


Não é possível determinar, ou saber se é mesmo verdade que Excalibur existiu, só se tem relatos históricos da espada e dos feitos de seu detentor; é uma lenda como a de Ragnar Lotbrook, o nórdico desbravador, sobre o qual só temos um livro.


Mas sabemos da importância histórica da espada nas batalhas que os bretões sobreviveram às invasões nórdicas; sem Excalibur, seu detentor e seus cavaleiros, os bretões corriam o risco de serem apagados da história humana, algo totalmente inimaginável nos dias atuais.


A melhor cena da espada; ele vence contra as piores probabilidades.


Não custa lembrar, o sistema democrático atual, o liberalismo clássico, a Revolução Industrial, Shakespeare, o computador (Alan Turing), etc, só a contribuição de gregos e romanos se compara à dos britânicos para a civilização atual.


É óbvia a semelhança com a espada nortenha de aço valiriano que o protagonista de Game of Thornes usa para vencer as batalhas mais improváveis, quando tudo leva a perca, ele vence, assim como seu personagem original.


O cavaleiro da muralha


Se você conhece um pouquinho de história ocidental, principalmente inglesa, já deve ter percebido que Jon Snow é uma ilustração do que conhecemos como Rei Arthur.


A última descrição genérica: um cavalheiro nortenho sem poder legítimo (não era herdeiro direto, talvez nem indireto), é alçado a um posto de liderança pela sua bravura e capacidade de vencer as probabilidades, liderando seu povo a uma resistência vencedora contra um inimigo muito mais forte, mas some no final, some como um desconhecido.


Na falta de imagem melhor, esse filme ilustra bem a lenda.


Arthur é uma lenda inglesa, como Ragnar é uma lenda nórdica, mas ao contrário deste, temos variadas referências a esse personagem, o que nos leva a crer que existiu alguém realmente importante para os bretões.


Arthur, na maioria das referências, era um filho bastardo ou renegado de um rei importante, mas que tinha uma capacidade bélica fantástica, o que o levou a ser escolhido para liderar os bretões na defesa de seu território.


Como líder dos Cavaleiros da Távola Redonda, Arthur não só defendeu a muralha, como salvou a existência dos bretões. Mas no final sumiu como um desconhecido, ferido em batalha, ninguém sabe o final da lenda.


Você deve estar lembrando que Jon Snow é um bastardo de Lord Stark (na verdade sobrinho, mas deixa isso pra outro momento), que foi pra muralha e assumiu a liderança da Patrulha da Noite, que com sua espada liderou a resistência aos selvagens, aos Boltons e aos caminhantes brancos.


Jon Snow indo embora no final de Games of Thrones

No fim, Jon Snow volta ao norte para viver uma vida livre, desconhecida, sumido do mundo, como Arthur. Não preciso lembrar das espadas que usavam, rsrs.


Uma última semelhança, não sei se George R.R. Martin fez de propósito, mas assim como Jon Snow tinha uma ligação com a capital (herdeiro legítimo do trono e guerreiro no estilo dos Sete Reinos), Arthur, supostamente, foi criado sob a lei romana, talvez tenha visitado Roma quando criança, era um aliado da capital, que defendia a fé romana.


Game of Thrones I – O Cavaleiro da Muralha


Esse foi o primeiro texto, até o último teremos uma boa ideia da história ocidental até o começo do Império Britânico (bretões não tinham ideia de como mudariam o mundo inteiro).


Sobre Arthur, além de material na internet e filmes, sugiro ler a obra de Bernard Cornwell sobre isso, os 3 volumes, inclusive as notas históricas no final. Eu li devorando, o cara escreve muito bem.


Óbvio que teremos textos sobre Dany, Arya, Sansa, Bran, Porto Real, a Campina, os Lannisters, os bárbaros a cavalo, Porto Real, os dragões, etc.


Muito obrigado por ler meu texto e boa sorte!

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FRED FIGUEIREDO

São Luís, Brasil

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