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  • fredericopereira191

Manias, bolhas, crises e nossos investimentos


Sir Isaac Newton perdeu boa parte da fortuna investindo na "criptomoeda" do século XVIII, saiba como e porque isso é importante!

Uma das histórias mais icônicas do mercado financeiro mundial aconteceu em Londres no começo do século XVIII. Sir Isaac Newton perdeu parte de sua fortuna na bolha da Companhia dos Mares do Sul.


Com o fim da guerra de Sucessão Espanhola (1701-1714), foi feito um tratado para que os ingleses tivessem acesso a alguns portos nas colônias espanholas, sendo concedido à Companhia os direitos sobre esses negócios, isso por si só atraiu muita gente para ser acionista.


Na constituição da empresa a própria família real entrou como sócia, depois de alguns anos, o próprio rei assumiu o controle da empresa e foi feito uma conversão de títulos da dívida pública em troca de ações da Companhia.


Então as ações viraram uma mania, todo mundo queria ter, o que gerou uma bolha, afinal é uma demanda crescente por uma oferta limitada, que geralmente estoura com o passar de alguns meses ou anos, que foi o que aconteceu, gerando a crise da Companhia dos Mares do Sul em setembro de 1720.


Não só o preço das ações despencou, como todo o mercado financeiro foi junto, à medida que o medo se propagou. Sir Isaac Newton e vários outros investidores ingleses viram boa parte do dinheiro evaporar em questão de dias.


Você pode ler sobre esse fato nesse artigo da BBC, clicando aqui, e pode também conhecer entender o processo de criação de uma mania, que leva a uma bolha, que estoura e leva a um crash seguido de uma crise financeira, lendo o livro de Charles Kindleberger: “Manias, pânicos e crashes”.


Esse “fenômeno” da economia de mercado já vem acontecendo repetidamente desde o século XVII, já devia ser um negócio bem conhecido, mas a maioria das pessoas continua ignorando, haja vista que exemplos recentes são variados. Vamos conhecer alguns nesse texto e conversar sobre os atuais.


Exuberância Irracional


No ano 2000 o norte americano Robert Fisher publicou um livro chamado “Exuberância Irracional”, onde descreveu e comentou sobre a bolha das empresas pontocom.


Essa bolha, assim como todas as outras do século XVII ao XXI, respeita o mesmo processo de criação de uma mania, que cria uma bolha, que causa um crash e que leva a uma crise, que acaba afetando muito mais mercados do que apenas o que está localizada.


Em pleno século XXI, Fisher descreveu esse mesmo processo acontecendo nas ações das empresas de internet que haviam nascido na década de 90 nos EUA, ele mostrou com dados de preços e lucros das empresas que a bolha já havia se formado e que aquilo era uma “Exuberância Irracional”.


Formada a bolha, Fisher explicou o que costumava acontecer quanto ela estourava e o que podia-se esperar com isso. Aconteceu logo no ano seguinte, em 2001 a bolha das pontocom estourou e todo o mercado de ações nos EUA caiu vertiginosamente, pois o estouro da bolha é o crash.


Assim como os ingleses do século XVII, os norte americanos (e estrangeiros) que estavam comprados em ações de empresas de internet perderam boa parte do seu dinheiro com a queda do preço das ações. Várias das empresas quebraram e as ações foram a zero, poucas sobreviveram.


Como se cria uma mania?


Charles Kindleberger, o historiador e economista que descreveu esse fenômeno e as diversas ocorrências em seu livro.

Agora que você já entendeu o processo que vem se repetindo a séculos, vamos entender como tudo acontece, começando pela mania. Tudo começa com uma novidade, algo muda ou promete mudar a economia ou um setor específico.


As tulipas raras dos holandeses; a abertura dos portos espanhóis na América do Sul , as ferrovias e as guerras napoleônicas para os ingleses; o carro, o petróleo e as empresas de internet para os norte americanos. São novidades que mudam as perspectivas de lucro e fazem com que investidores queiram participar.


Além dessas mudanças empreendedoras, mudanças nas leis sobre algum tipo de ativo também podem alimentar manias, no passado era uma mudança na quantidade de ouro ou prata nas moedas, depois na emissão de títulos públicos por uma economia importante, ou mais recentemente, uma mudança nas taxas de juros de um país muito importante.


Enfim, eventos não esperados e/ou com efeitos muito grandes podem gerar perspectivas de grandes ganhos, a priori isso não constitui um problema, apenas uma mudança; mas vira uma mania quando as pessoas passam a se alavancar (tomar dívidas) para participar ou tentar maximizar os lucros.


Um bom e recente exemplo disso foi a crise de 2008, que você pode entender bem assistindo o filme “A grande aposta”, a forte queda nas taxas de juros aliadas a liberação de regulamentações para compra de imóveis criaram uma mania no mercado imobiliário, todo mundo queria comprar imóvel, mesmo aquelas pessoas que já tinham, compravam mais, e pessoas que não tinham condições de comprar, conseguiam crédito para comprar.


Quanto mais os preços subiam, mais as pessoas compravam, a mania virou bolha, veio o crash e os efeitos foram sentidos no mundo inteiro.


Resumindo o fenômeno: uma novidade gera interesse e "novos lucros", isso vira uma mania quando as pessoas começam a se endividar para participar, os preços sobem muito, é a bolha, quando a fonte de dinheiro acaba ou as pessoas passam a se questionar sobre os preços altos, ou os dois, os preços param de subir, daí quando os primeiros começam a vender, começa o caos, todo mundo tenta vender, é o crash.


Se a bolha é muito grande, como a do mercado imobiliário americano ou da dívida chinesa, uma crise financeira internacional é consequência quase certa; mas se for pequena, como a do Bitcoin, só os investidores que entraram que sofrem as consequências.


Quais as novidades que podem virar manias?


O mais intrigante desse “fenômeno” é que ninguém consegue prever com exatidão o momento em que a bolha atingiu seu limite e, pra piorar, também não conseguimos prever o momento que ela estoura. Então vou falar sobre o que pode virar uma mania agora, ou já ser uma bolha, mas, como ser humano, também não tenho ideia de quanto vai durar ou quando vai estourar.


Assim como no passado, o avanço da tecnologia está fazendo com que novidades atraiam bastante dinheiro de diversos investidores, vamos ver alguns exemplos:


- criptomoedas: já tiveram uma mini bolha estourando no bitcoin (caiu de US$ 18 mil para US$ 5 mil);


- carros elétricos: a principal empresa negocia a múltiplos exorbitantes na Nasdaq, mesmo ainda tentando provar a viabilidade do negócio;


- fintechs: aqui no Brasil temos um banco negociando a quase 100 vezes os lucros, mesmo a concorrência sendo muito grande;


- energia renovável: o avanço da energia solar e da eólica está fazendo com que muita gente procure empresas nesses setores, elevando o preço das ações;


- redes sociais: as ações das principais redes sociais negociam a preços elevados, à medida que esse negócio vira quase um serviço de utilidade pública;


Mas não só de novidades vivem os especuladores, os governos ainda tem participação relevante na economia mundial, o que nos leva a duas grandes possíveis bolhas:


- China: já é de conhecimento geral que os chineses atuam muito endividados e a dívida deles já vem sendo questionada a muito tempo, essa é uma possível bolha que já vem sendo discutida a alguns anos;


- Bancos Centrais: na sequência da crise de 2008, os bancos centrais dos países desenvolvidos (EUA, Europa, Japão) expandiram bastante seus balanços, salvando bancos e tentando estimular crescimento econômico, a liquidez internacional aumentou muito, mas os efeitos esperados (crescimento e inflação) não aconteceram, o que pode ter criado uma bolha internacional, também fortemente discutida no mercado.


Manias, bolhas, crises e nossos investimentos


O investidor precisa conhecer esse processo e pensar em como se proteger, mas também como se aproveitar. Tanto escolher ativos mais seguros para compor a maior parte da sua carteira de investimentos, como separar uma parte pequena para tentar aproveitar a subida dos preços gerada pelas novidades.


Faz parte do instinto humano querer participar desses empreendimentos lucrativos, mas também entrar em um movimento de “manada” em que os resultados podem ser muito negativos, é preciso saber alocar o dinheiro de forma que se permita participar sem se expor a riscos excessivos.


Para fazer isso, é preciso pensar sempre na melhor forma de compor a carteira de investimentos, conhecer as filosofias de investimento que proporcionaram sucesso aos investidores nas últimas décadas ou séculos, enfim, entender como funciona o mercado, os riscos e como lidar com tudo isso.


Escrevi um livro que fala exatamente sobre isso, sobre o que é necessário para que o investidor tenha sucesso no mercado financeiro, clique na imagem abaixo para conhecer.





Muito obrigado por ler meu texto, um abraço e boa sorte!

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