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  • fredericopereira191

Peter Lynch: 13 atributos das melhores ações


A lenda, Peter Lynch

O lendário Peter Lynch, gestor do Maggelan, sobre o qual já falei algumas vezes aqui no blog, escreveu no seu livro, "O jeito Peter Lynch de investir", uma lista de 13 atributos que considera promissores para escolher boas empresas.


Vou deixar listar os 13 abaixo, fazendo breves comentários sobre nosso cenário no Brasil.


1 - Isso soa enfadonho, ou melhor, ridículo


Ele se refere ao nome da empresa e dá alguns exemplos de nomes de empresas que geralmente não tem nada a ver com o negócio ou que não está diretamente relacionado. Algo bem diferente de empresas "X", por exemplo.


No Brasil podemos ilustrar com Equatorial, por exemplo, nada a ver com nada. Ou Graziottin, que não nos diz nada. Nomes que não tem nada a ver com a atividade da empresa, talvez no Brasil não faça muito sentido procurar por isso.


2 - A empresa faz algo enfadonho


Ele se refere a empresas que tem uma atividade bem "desinteressante", como produtos de limpeza, fabricação de algum tipo de produto do dia a dia. Lá nos EUA são bem mais comuns, já que muitas empresas pequenas estão na bolsa.


No Brasil isso não é tão fácil, já que temos poucas empresas, as maiores do país, então é difícil encontrar algo "enfadonho". Mas, forçando um pouco, podemos colocar nessa lista empresas de transmissão de energia, galpões logísticos, aluguel de máquinas, por exemplo.


3 - A empresa faz algo desagradável


Ele dá o exemplo da Philip Morris, a empresa que consolidou o setor de cigarros nos EUA, mesmo depois de todas as campanhas contra o produto, a empresa continuou crescendo, aumentando lucros e enriquecendo os acionistas.


Foi o mesmo que aconteceu no Brasil com a Souza Cruz, até fecharem o capital era uma das melhores ações da bolsa. Ou seja, quando um setor é visivelmente atacado e caminha para ser consolidado por apenas uma empresa, essa ação deve gerar muitos retornos.


Não me vem nenhum exemplo claro agora, mas se você tiver, me avise, mande uma mensagem ou coloque lá no grupo do Whatsapp.


4 - A empresa é fruto de uma cisão


Dificilmente veremos isso aqui no Brasil, mas é quando uma empresa é "dividida" em vários pedaços, várias novas empresas, ele dá exemplos de casos em que as empresas cresceram bastante depois de se libertar da estrutura anterior que as limitavam.


Um exemplo hipotético aqui seria a cisão de um banco Itaú ou da Ambev, por exemplo, algumas regionais, ou marcas, respectivamente, poderiam ser oportunidades de investimento.


5 - As instituições financeiras não são as donas e os analistas financeiros não cobrem


Ele explica que se as grandes instituições financeiras de Wall Street não são sócias e seus analistas não as avaliam para investir, então se a ação for boa ela tem muito espaço pra subir, pois quando isso vier a acontecer, a alta será grande.


Contextualizando, se a Faria Lima não participa do papel e seus analistas não ligam muito para a empresa, então ela pode ter um bom espaço para subir, se seu negócio tiver potencial para isso. Um caso a ser estudado nesse sentido é LLIS3.


6 - Multiplicam-se os rumores, a empresa está envolvida com lixo tóxico ou com a máfia


Ele dá exemplos de empresas em que ninguém queria participar ou o mercado (Wall Street) não recomendava a ação porque estava com uma "mancha midiática", algo que fosse ruim na opinião pública, isso geralmente faz com que o preço da ação caia e fique interessante.


Um bom caso no momento é VALE3, o preço da ação ainda está sofrendo por causa dos problemas com as barragens, apesar da empresa está cada vez mais lucrativa. Outro caso interessante foi JBSS3, é fato conhecido que a construção da empresa foi feita com dinheiro do BNDES, faz a ação subiu como um foguete.


7 - Há algo desanimador em relação a isso


São negócios que são lucrativos, que tem boas perspectivas nos fundamentos, mas que alguma notícia ou novidade está afetando o preço, como uma tecnologia nova ou uma expectativa de entrada de um, ou vários, concorrentes.


É o caso do setor de energia no Brasil, as pessoas estão vibrando com o negócio de energias renováveis e negociando as empresas incumbentes como se elas fossem sumir ou definhar, não parece sensato, haja vista a infraestrutura necessária para termos estabilidade no fornecimento de energia.


FLRY3 e ODPV3 são casos semelhantes também, à medida que o mercado se apaixona perdidamente pelo modelo verticalizado de HAPV3 e GNDI3.


8 - É um setor de atividade sem crescimento


Ele cita vários exemplos de empresas que cresceram muito, mesmo com o setor não crescendo. Ou que cresceram lucros, enquanto as demais empresas do setor definhavam. Mostrando que as vezes as empresas não precisam estar no setor do momento para crescer.


Um bom exemplo disso é FESA4, que vem crescendo constantemente a mais de 10 anos, ou CSAN3, entrando em setores cíclicos ou de pouco crescimento, mas entregando lucros crescentes. JHSF3 também desenvolveu diversos projetos mesmo no meio da crise do setor imobiliário.


9 - A empresa possui um nicho


Ele cita exemplos de empresas que crescem lucros a despeito do cenário macroeconômico, empresas que estão em setores muito resilientes e que conseguem ser referência no seu mercado ou conseguem oferecer algo específico que sempre tem demanda.


Não me veio nenhum caso específico no Brasil, mas, de novo, se você tiver, me mande uma mensagem, vamos conversar sobre isso; de preferência, coloque lá no grupo do Whatsapp.


10 - As pessoas tem de continuar comprando


Sabe aquele produto que as pessoas simplesmente não podem viver sem ele? Pois é, quando a ação fornece isso e está a um preço baixo, que oferece uma margem de segurança, é compra na certa, entrava na carteira do Peter Lynch.


Meus filhos e os amigos deles não conseguem viver sem o celular e a internet, é jogo online, é vídeo no You Tube, etc. O que é essencial pra isso? Energia e dados! Quem fornece? Empresas de energia e empresas de telefonia (de dados), quando essas ações estão baratas, não precisa pensar muito.


11 - A empresa é usuária de tecnologia


Aqui ele deu vários exemplos de empresas que usaram a evolução tecnológica para causar verdadeiras transformações em seus negócios, reduzindo custos, aumentando as receitas, etc. Ou seja, empresas que estavam antenadas nas mudanças e aproveitaram.


No Brasil, acompanhando as empresas é possível perceber quem está aproveitando essa evolução e quem está ficando pra trás. Vimos a pouco CIEL3 ser devorada pela concorrência, todo mundo viu que eles não se movimentaram quando deveriam.


Vejamos um exemplo de empresa que está usando muito tecnologia e que isso não se refletiu nos preços: GGBR4. Em todas as comunicações da empresa é possível ver como eles estão investindo pesado em tecnologia para aumentar a produtividade em todo o negócio, o preço da ação ainda está sofrendo com o momento horrível do mercado de aço, mas quando isso passar, uma nova Gerdau surgirá, as margens serão maiores do que nos ciclos de alta anteriores, isso deve se refletir no preço.


12 - Pessoas que fazem parte da empresa compram ações


Ou seja, os executivos compram ações da empresa, isso pode ser sinal de que eles acreditam na empresa. Lynch destaca como verificar isso nas informações da empresa, por lá essas informações são públicas.


Confesso que não sei se no Brasil é possível, na verdade essa questão de remuneração dos executivos aqui ainda é bem obscura, tem muito a melhorar. Mas você deve conhecer executivos de algumas empresas, vale a pena conversar. Se possível, comente lá no grupo.


13 - A empresa está recomprando ações


Lynch acredita que melhor do que a empresa distribuir dividendo, se ela está crescendo e tem capital sobrando, é ela recomprar as próprias ações, menos delas em circulação, são menos acionistas para dividir o bolo, mais o preço da ação tende a subir.


Vide o que está acontecendo agora nos EUA, estamos em um mercado de alta a muito tempo, onde mesmo as correções de preço são rápidas e a recuperação ainda mais, tudo isso puxado por grandes recompras de ações pelas empresas.


Então se você souber de uma empresa muito boa, ação a preço baixo e recomprando ações, é uma oportunidade. Tivemos vários casos desse no Brasil nos últimos anos e ainda tem vários programas de recompra em aberto.


Peter Lynch: 13 atributos das melhores ações


Era isso! Espero ter contribuído para que você escolha melhor as ações para construir sua fortuna.




Muito obrigado por ler meu texto e boa sorte!

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