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  • fredericopereira191

Por que a reforma da previdência é tão importante?


Presidente precisa muito da reforma para ter sucesso no governo! O ministro tenta uma reforma ambiciosa quando poderia ter aproveitado uma que já estava em andamento.

Porque é a única solução para a crise econômica em que nós, brasileiros, nos metemos; vale ressaltar, a pior em 100 anos.


No texto a seguir explico, da maneira mais simples e “popular” possível, para que todos possam entender, o seguinte:


- como entramos nessa crise e quais seus efeitos;

- porque a reforma da previdência é a solução;

- quais as consequências da não aprovação;

- o que podemos esperar se a reforma for aprovada.


Esse é o motivo econômico ou, pelo menos, a principal razão pela qual a aprovação é provável, o que deve ficar claro para você quando terminar de ler.


Mas, não posso deixar de mencionar que há outro motivo que devia ser o suficiente, mas não é: o sistema previdenciário brasileiro gera desigualdade social, tira dos pobres para dar aos ricos, isso é errado e deveria ser motivo suficiente.


Agora que já fugi do assunto pra expor minha indignação com esse absurdo, vamos ao texto.


Como entramos na pior crise econômica dos últimos 100 anos?


Uma crise econômica é gerada quando o nível de investimentos em uma economia cai muito, a ponto de as empresas pararem de contratar ou passarem a demitir funcionários, o que leva a diminuição do consumo, o que diminui o faturamento das empresas, o que retroalimenta o processo.


Num país como o Brasil e demais subdesenvolvidos, isso geralmente acontece quando fica perceptível que o governo não terá capacidade de fazer investimentos ou ampliar seus gastos, pois nessas economias o governo é o maior agente econômico.


Observe a imagem abaixo que mostra a evolução da arrecadação de impostos (linha azul) e os gastos primários do governo (linha vermelha):



Os problemas começam assim que o mercado percebe que os deficits serão inevitáveis!


Você pode encontrar esse e outros gráficos no site do Tesouro Nacional, clicando aqui!


Observe que a partir de 2010, quando o governo implementou uma série de medidas equivocadas para tentar estimular o crescimento, a arrecadação de impostos parou de crescer, mas os gastos não.


Então, em 2014, os gastos passaram a superar a arrecadação e o governo passou a incorrer em déficits primários.


Quando isso ocorre, em qualquer lugar do mundo, o governo perde a capacidade de fazer investimentos em educação, saúde, segurança, infraestrutura, etc.


Como o governo tem um papel muito relevante na economia, essa queda da capacidade de investimento implica em desaceleração econômica, que leva à crise.


Os efeitos da crise são evidentes:


- as empresas grandes não investem e lucram menos, derrubando o valor das ações;

- as empresas médias se retraem, demitem funcionários, não pagam suas dívidas e, eventualmente, quebram;

- há uma verdadeira “carnificina” entre as empresa pequenas, que são as maiores geradoras de empregos, a maior parte delas desaparecem.

- tudo isso gera muito desemprego, o que retroalimenta o processo que leva à crise.


Ou seja, precisamos que o governo retome a capacidade de investir, para que os demais agentes econômicos também voltem a investir; para que isso aconteça é preciso reduzir os gastos primários do governo, vejamos agora como fazer isso.


Por que a reforma da previdência é a solução?


Porque é o maior gasto primário do governo, que precisa ser reduzido, como acabamos de entender. Como você pode perceber no gráfico a seguir, que pode ser encontrado no relatório que está especificado na imagem.



Vale ressaltar que esse é o gráfico correto, pois você deve ter visto outros que, infelizmente, foram criados para distorcer os fatos.


O raciocínio aqui é simples, quando nós temos um sério problema financeiro, precisamos cortar despesas e nada mais sábio do que começar pelas que são maiores e mais fáceis de ser cortadas.


Pela imagem fica claro que a previdência é o maior gasto primário do governo e, como já afirmei antes, produz desigualdade social ao conceder uma série de privilégios, então fica óbvio que a melhor forma de reduzir os gastos e resolver o problema fiscal (gastos maiores que arrecadação), é reformar a previdência.


Um adendo importante, por mais que se pense que pode cortar outros gastos, isso não resolve o problema, só a previdência tem magnitude suficiente para resolver o problema, isso faz com que a aprovação da reforma seja praticamente certa, a questão que fica é: quanto vai se economizar com ela.


Quais as consequências da não aprovação?


Imagine que você está numa situação semelhante à do governo. Seus gastos continuam aumentando, sua renda não aumenta junto e você já tem um endividamento muito elevado.


Se você não reduzir suas despesas, procurar um jeito de aumentar sua renda e passar a ganhar mais do que você gasta, a fim de fazer sobrar dinheiro para pagar suas dívidas, acabará numa situação de falência, certo?


É exatamente isso que acontecerá com o governo, a dívida pública já está aumentando rapidamente em direção a um nível insustentável.


No seu caso, uma falência significaria seu nome do SPC/Serasa, nenhum chance de conseguir novas dívidas baratas, só juros exorbitantes, nenhum crédito disponível e processos judiciais tentando tomar os bens que você tiver. Ou seja, o caos financeiro.


No caso do governo também, mas neste caso o caos é social e, como diz o velho ditado: “a corda arrebenta para o lado mais fraco”; ou seja, quem vai pagar a conta são os mais pobres, ou melhor, já estão pagando.


Primeiro o governo Dilma ia fazer a reforma, mas veio o impeachment; depois o governo Temer ia fazer a reforma, mas veio o Joesley Day; agora é o governo Bolsonaro que tenta a reforma; enfim, faz 4 anos que tentamos fazer a reforma, pra corrigir esse problema fiscal, mas não conseguimos, o resultado é a continuação da crise, são 13 milhões de desempregados.


Se a reforma não for aprovada com uma economia que pelo menos dê fôlego financeiro para os próximos anos, a crise econômica se agravará para uma situação em que o governo terá que “imprimir dinheiro pra pagar as dívidas”.


Isso levará o país de volta pra década de 80, com sérios problemas de inflação, essa maldição que implica sofrimento justamente àqueles mais necessitados.


Neste caso, um provável cenário em que a inflação aumenta muito, ficando acima das taxas de juros, para que a dívida pública seja corroída, ou seja, o governo dando um calote inflacionário em boa parte dos credores.


Nesse cenário os investidores com ativos que sejam protegidos da inflação e uma visão de longo prazo se saem melhor do que os demais. Mas não espero por isso, pelo contrário.


O que podemos esperar se a reforma for aprovada?


A aprovação da reforma vai fazer com que os gastos do governo sejam reduzidos significativamente nos próximos anos, permitindo que o governo volte a ter arrecadação maior que os gastos, volte a ter capacidade de investimentos.


Essa mudança de cenário, somada a outras iniciativas governamentais já em andamento, devem fazer com que os empresários voltem a investir junto com o governo e o país volte a atrair investimentos do exterior.


Investimentos geram empregos, empregos geram renda, aumento na renda gera consumo e consumo gera lucros, que geram novos investimentos, retroalimentando o processo.


Ou seja, uma reversão do processo de crise para um processo de crescimento, aquilo que precisamos para sair da pior crise econômica dos últimos 100 anos.


Para os investidores esse novo cenário traria a continuação dos juros baixos – talvez até mais queda – e o preço das ações subindo bastante, uma vez que as empresas já estão trabalhando bem dentro da crise e devem aproveitar bem a saída dessa situação.


Além disso, a manutenção das baixas taxas de juros faria com que os fundos de pensão públicos e privados, que são os maiores investidores da bolsa brasileira, diminuíssem os investimentos em renda fixa, por causa da baixa rentabilidade, e aumentassem em ações das empresas, que são a alternativa óbvia para conseguir mais rentabilidade.


Neste caso, o que eu acho ser o mais provável, comprar ações de empresas prósperas e lucrativas é a melhor opção de investimento.


Observação importante: não estou dizendo pra pegar todo o seu dinheiro e colocar em ações, estou dizendo que é uma boa hora para aumentar a quantidade de ações em uma carteira bem diversificada que contenha outras formas de investimento.


Conclusão


Bom, o texto ficou um pouco maior do que os demais, mas o assunto é importante, espero ter esclarecido a importância dessa reforma da previdência.


Aproveito para te convidar a conhecer mais sobre o mercado financeiro e melhorar seus investimentos, clique na imagem abaixo para conhecer meu livro “Guia do Mercado Financeiro no Brasil”.




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