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  • fredericopereira191

Por que continuo otimista com ações brasileiras?


Gráfico semanal do Ibovespa

Observe a imagem acima, ela foi postada neste blog algumas semanas atrás, nessa oportunidade eu avisei que seria normal uma correção do Ibovespa até os níveis de preços daquele retângulo azul (entre 90 e 96 mil). Agora observe o gráfico finalizado ontem.


Gráfico semanal do Ibovespa

Observe que nós estamos quase chegando no retângulo, mais importante ainda: pode ser que não entre no retângulo, pode ser que passe dele; a verdade é que não tem como saber.


Eu não fiz uma previsão de onde o Ibovespa iria, não disse que iria naquele retângulo, eu disse que seria normal uma correção até ali. Porque a verdade é que ninguém sabe até onde a correção pode ir.


O que me espanta no momento é o desespero e enxurrada de notícias e comentários pessimistas com a política e a economia brasileira, como se houvesse tido uma mudança drástica nos fundamentos ou nos gráficos. Simplesmente não é o que estamos vendo.




O gráfico do Ibovespa e a tendência de alta


Gráfico mensal do Ibovespa

Esse canal de alta na imagem acima é a tendência de alta no gráfico mensal do Ibovespa que se sustenta desde 2016, todo esse movimento tem como premissa que o Brasil vai ter uma recuperação econômica depois de passar pela pior crise econômica dos últimos 100 anos.


Alguém pode alegar que essa alta já foi bastante coisa em um país como o Brasil, mas isso não é verdade, vejamos outro gráfico.


Gráfico mensal do Ibovespa nos últimos 25 anos

Perceba que temos 5 grandes movimentos de alta aqui:


1 - 1995 a 1997: primeiros anos de plano real, nascimento do mercado financeiro brasileiro (antes era uma bagunça horrível por causa da inflação), um ajuste pelo lado monetário fez o Ibovespa subir 764%!


2 - 1998 a 2001: depois de sofrer com as sucessivas crises mundiais, que pegaram um país ainda muito frágil financeiramente (precisou ser salvo pelo FMI para frear crise financeira sistêmica), o Ibovespa subiu 282% nas vésperas de uma eleição complicada.


3 - 2002 a 2008: com ajuste fiscal exigido pelo FMI a partir de 1999 e manutenção do tripé econômico nos anos seguintes, gerando superávit primário ao longo de alguns anos, o Ibovespa subiu 773%!


4 - 2009 a 2010: na volta da última grande crise financeira mundial, o Ibovespa subiu rapidamente para os níveis anteriores, já refletindo um país melhor financeiramente, que ainda gerava superavits primários e com reservas internacionais que o faziam credor líquido externo.


5 - 2016 a ????: depois de um governo irresponsável, que jogou o país em sucessivos deficits primários, o que ajudou (talvez a principal causa) no que foi a pior crise dos últimos 100 anos, o Governo Federal vem tentando fazer um ajuste fiscal que coloque o país para gerar superávits primários.


Considerando que o principal passo nesse sentido já foi dado, a reforma da Previdência, e os demais continuam sendo implementados, considerando que o governo se elegeu declarando esse objetivo e que há amplo apoio da sociedade que se reflete no Congresso. É de se esperar uma alta tão grande como as anteriores.


Para não pegar nem a menor, nem a maior, tiremos uma média das subidas, que é de 488%. Se o movimento de alta atual tiver pelo menos isso, já seria excelente, porque agora que subimos 178%. Ainda falta muita coisa.


Mas isso seria repetir o passado, o momento agora é outro.


Brasil a partir de 2019


Preste muita atenção no gráfico a seguir:


Média das 7 medidas de núcleos do IPCA

Isso não é um fenômeno apenas de Brasil, todo o mundo está vendo uma queda nos níveis de inflação, a discussão dos motivos para isso giram sobre o envelhecimento da população mundial e a "uberização" de diversos serviços, mas pouca gente discute se estamos caminhando para um novo patamar de inflação e, consequentemente, de juros.


Isso faz toda a diferença para o Brasil pós 2019. Em todas aquelas altas que vimos o Ibovespa competia com os juros altos, os gestores do "dinheiro grande", e mesmo os pequenos investidores, tinham que decidir entre tomar risco com as ações ou investir em renda fixa e ganhar um juros alto. O que gerou o seguinte gráfico.


Gráfico com alocação em diferentes tipos de investimento

86,71% do dinheiro investido no país está concentrado em renda fixa, justamente uma herança dos juros altos. Apenas 7,43% em renda variável.


Acontece que agora a realidade mudou, com a inflação cada vez mais baixa, a taxa de juros neutra da economia nacional e internacional vai cair e ficar assim por um bom tempo, principalmente se esse movimento for realmente estrutural como se espera.


Então esse novo cenário de juros baixo deve fazer com que esse volume de investimento em renda fixa diminua muito, mais importante, que esse dinheiro migre para a renda variável. Isso vai provocar uma valorização das ações brasileiras.


Para ilustrar esse movimento, observe a figura abaixo.


P/L de 12 meses do Ibovespa

Observe que o P/L médio do Ibovespa anda perto de 12, isso já vem a bastante tempo. Acontece que outro país tinha números semelhantes ao nosso: a Índia; mas isso mudou depois que os juros por lá caíram antes que o nosso, fazendo com que o P/L médio dos indianos subisse para 14.


A importância disso é a seguinte: o que está acontecendo na Índia é o que deve acontecer com o Brasil nos próximos anos, o P/L médio da bolsa deve subir por conta do estímulo dado aos investidores para migrar para a renda variável, isso quer dizer que os preços das ações brasileiras vão subir nos próximos anos.


Por que continuo otimista com ações brasileiras?


Acho que deixei claro as razões porque continuo otimista, basicamente:


1 - o país vai começar a gerar superavit primário, isso historicamente fez as ações brasileiras subirem muito.


2 - nesse novo ciclo, "pela primeira vez na história desse país" (não resiste à ironia), nós temos uma situação financeira muito forte.


Mesmo assim, tenho certeza que você vai terminar de ler aqui e se questionar se eu não estou ignorando a pressão negativa que vem de fora, de uma clara recessão na economia internacional que está chegando.


Mas não, não ignoro. Na próxima quarta explicarei porque não tenho medo da próxima grande crise mundial, fique ligado nas publicações.



Muito obrigado por ler meu texto e boa sorte!

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