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  • fredericopereira191

Quão próximos estamos de uma grande crise?


Há 10 anos o Lehman Brothers quebrou e estourou a crise de 2008. Quão próximos estamos de uma grande crise?

Para quem não sabe, essa expectativa é muito válida depois de 11 anos sem nenhuma crise financeira aguda, sem estourar nenhuma bolha. Faz tempo que não vemos isso no mercado financeiro mundial.


Veja a lista até aqui e entenda o que eu estou falando:


- 2008 – Subprime

- 2001 – Ponto.com

- 1998 – Rússia e LTCM

- 1997 – México

- 1990 – Japão

- 1987 – S&P500, sexta feira negra

- 1979/82 – Empréstimos ao Terceiro Mundo

- 1974/75 – Colapso de Bretton Woods

- 1960 – Moedas Internacionais


Ou seja, faz uns 60 anos que nós não temos um intervalo tão grande entre duas crises. O que nos faz pensar na possível iminência de um acontecimento como esse.


Eu queria poder dizer que nós não devemos nos preocupar com isso, mas isso seria completamente errado, precisamos sim.


Não quer dizer que você deve pegar todo o seu dinheiro e ir pra poupança ou pra debaixo do colchão, longe disso, quer dizer que devemos ficar atentos e prontos para oportunidades.


Esse texto é para mostrar alguns gráficos que sinalizam quão próximos podemos estar de uma crise e, no final, sugerir alternativas.


Antes de começar, deixa eu te fazer um convite, escrevi um livro que apresenta o mercado financeiro e te ensina a se aproveitar dele, clique na imagem abaixo para conhecer.




Nível de confiança do consumidor americano


O primeiro sinal da formação de uma bolha é a confiança exagerada que os consumidores tem nas perspectivas econômicas.


Como o ditado diz que “a maioria é burra”, quando a maioria está muito confiante, é melhor desconfiar. Dê uma olhada no gráfico a seguir para ver o nível de otimismo.


Nível de confiança dos consumidores se assemelha aos níveis de outras grandes crises.

Perceba que já está níveis semelhantes à algumas das crises anteriores.


Nível de desemprego baixíssimo nos EUA


Um dos indicadores do nível de emprego mais utilizados nos EUA é o Initial Claims, que informa o número de pessoas que deram entrada em pedidos de benefícios decorrentes de desemprego.


Isso sinaliza o nível da atividade econômica e tem uma relação interessante com as crises anteriores. Dê uma olhada no gráfico a seguir.


Initial Claims (linha vermelha) em níveis baixíssimos e como isso costuma acontecer antes de grandes crises (verticais cinzas)

Perceba que antes das crises financeiras nos EUA, o nível de Initial Claims é sempre bem baixo, o que sinaliza uma atividade econômica bastante aquecida, o que confirma o sinal de otimismo do gráfico anterior e costuma anteceder grandes crises.


No gráfico é possível perceber que eles não são tão baixos a pelo menos 30 anos.

Agora veja o gráfico da taxa de desemprego nos últimos 60 anos.


Taxa de desemprego nos EUA, a muito tempo não se vê nesses níveis!

Perceba que a taxa não é tão baixa desde 1955. Muito difícil que isso continue assim por muitos anos.


Quando o futuro é mais barato que o presente (US Treasures)


Dê uma olhada no gráfico abaixo:


Quando o futuro fica mais barato que o presente, costumamos ter grandes crises.

A linha azul é o título público norte americano com vencimento para 10 anos e a linha vermelha é o título público norte americano com vencimento para 2 anos.


Normalmente, o título público mais longo deve render mais do que o mais curto, afinal de contas o prazo para vencimento é maior, isso é o que a lógica espera. Mas nem sempre isso acontece.


Perceba que no gráfico a momentos em que os juros dos de 10 anos ficam menores que os de 2 anos, esses momentos são justamente os momentos de excesso de confiança que antecederam as últimas grandes crises, como fica claro no gráfico.


Mais um sinal de que não é loucura esperar uma crise para os próximos anos.


Quão próximos estamos de uma grande crise financeira?


É muito difícil, para ser ainda mais correto, é impossível prever com precisão o momento em que a crise vai chegar, mas as bolhas costumam parar de crescer e passar um tempo antes que explodam. Então dê uma olhada no gráfico a seguir:


S&P500 não sai do mesmo nível desde fins de 2017

Perceba que o S&P500 não avança desde 2018, quase dois anos oscilando nos mesmos preços. Será que a bolha atingiu o tamanho máximo, difícil afirmar, mas é melhor se preparar.


Como podemos nos preparar para cenários de grandes crises?


A melhor alternativa, apesar de ser a primeira que vem em mente, não é vender todos os ativos de renda variável e colocar na renda fixa, poupança ou debaixo do colchão. Longe disso. Dê uma olhada nos dois gráficos a seguir.


Desempenho de Peter Lynch como gestor do Fidelity Magellan Fund (linha azul) contra o S&P500 (linha amarela).

Peter Lynch administrava o Fidelity Magellan Fund, perceba que ele passou por algumas das crises que nós vimos no começo desse texto, ele nunca vendia todas as ações que tinha no fundo e isso não significa que ele perdeu dinheiro nas crises. O mesmo pode ser visto no gráfico a seguir.



O mesmo vale para Warren Buffett na Berkshire, ele não vendia todas as ações que tinha durante as crises, e perceba que ele passou por todas que nós vimos no começo do texto.

A questão não é sair correndo do mercado por conta das crises, mas aproveitar suas ocorrências para ter mais e melhores ações e ativos de valor. O que passa por dois pontos importantes:


1 – Ter ativos de qualidade, para que, mesmo com seus preços caindo, você tenha confiança de mantê-los, seguro de que em alguns anos eles vão valer muito mais, pois são negócios prósperos e lucrativos.


2 – Ter caixa, um bom investidor, como já dizia o lendário banqueiro Edmund Safra, “sempre tenha liquidez”. Em qualquer tempo e a qualquer momento, tenha dinheiro disponível, aplicado em ativos extremamente líquidos e pouco voláteis.


Se você seguir essas duas ideias de investimento, não tem porque ter medo das crises que passará ao longo dos anos, que são inerentes ao mercado financeiro, ao sistema financeiro que nós temos, pelo contrário, você as verá como oportunidades imperdíveis.


Guia do Mercado Financeiro no Brasil


Se você já leu meu livro “Guia do Mercado Financeiro no Brasil”, você sabe como o mercado funciona e como se aproveitar dele e adotar estratégias que te deixarão antifrágil perante as crises que acontecerão ao longo dos anos.


Se ainda não leu, clique na imagem abaixo, acesse e leia!



Muito obrigado por ler meu texto, um abraço e boa sorte!

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