Buscar
  • fredericopereira191

Reflexões da semana no mercado financeiro - 16/06/2019


O destaque da semana que passou foi a leitura do relatório da reforma da previdência na comissão especial.

Sem delongas, vamos refletir sobre os fatos que marcaram a última semana e que são importantes para a próxima.


O objetivo é refletir sobre decisões para nossas carteiras de investimentos, tanto para os próximos 6 meses ou mais, quanto para oportunidades de curtíssimo prazo.


Leitura do relatório da Reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara Federal


O fato mais importante da semana foi esse relatório, que apresentou uma possível economia máxima de R$ 1,13 trilhão para os próximos 10 anos.


A repercussão no mercado não foi boa por dois motivos: (i) incluiu aumento de CSLL pros bancos, o que fez as ações caírem; e (ii) o Guedes criticou afirmando que a economia é de "só" R$ 840 bilhões, e que isso inviabiliza a mudança para a capitalização.


Para o investidor, todo o barulho em torno desse relatório não importa muito, pois as notícias são até positivas. Se considerarmos que o último projeto de reforma que chegou nesse estágio tinha expectativa de apenas R$ 400 bilhões de economia em 10 anos, a notícia é excelente, o atual está com a expectativa de ser mais que o dobro do anterior.


Para o especulador, esse barulho todo acontecendo bem em cima dos 100 mil pontos é interessante, implica até em um viés de venda, se considerarmos que o cenário internacional continua desafiador e que, sendo realista, a oposição deve tentar de tudo para atrapalhar as discussões e a votação na Comissão Especial. No último projeto o tempo de discussão se estendeu muito mais do que o que o Maia e os líderes estimaram e anunciaram agora.


É bom ficar de olho também no vencimento de opções de ações que acontece na segunda feira. Grandes investidores rolam e montam suas posições no dia do vencimento, o que pode sinalizar uma definição desse Ibovespa para as próximas semanas.


Dados ruins nas principais economias ao redor do mundo


Principalmente na China e em seus fornecedores imediatos, como Coréia do Sul, Indonésia, Taiwan e Malásia, os dados indicam piora significativa da atividade econômica, o que está sendo justificado pela guerra comercial EUA x China.


Na Europa os dados também não são bons, o que fez com que o BCE apontasse a possibilidade de estímulos econômicos nos próximos meses. No mercado, as taxas de juros futuros na Alemanha caíram ainda mais, mesmo já estando negativas (paga-se para que o banco guarde dinheiro).


Nos EUA os dados ainda são contraditórios, mas os dados ruins já estão aumentando. O mercado já precifica queda de juros neste ano, mais de uma vez, mas o FED ainda resiste às pressões (inclusive de Trump) e mantém as taxas no mesmo patamar.


Para o investidor, a grande preocupação deve ser se pode haver um crash (queda rápida e forte nos preços das ações), que levasse os investidores para ativos de menor risco rapidamente, ou se vai haver um desaceleração gradual da atividade econômica, como está acontecendo na China até agora, o que seria um cenário benigno para o Brasil. É por isso que é sempre bom ter caixa líquido.


Para o especulador, até agora a expectativa por queda de juros lá fora tem sido boa para o mercado de emergentes como o nosso, nas últimas duas semanas, com os rumores que quedas de juros, o Ibovespa subiu bem. O que traz um cenário curioso, não é bom para a economia nacional a piora lá fora, mas é bom para as ações a queda de juros nos EUA, que vem com dados ruins na economia. Como acho que pouca coisa deve ser anunciada nas vésperas do G20, sendo mais fácil ver Trump subindo o "tom" pra mostrar força, vejo viés de venda vindo de fora também.


Vazamentos de conversas de Moro com equipe da Lava Jato


Moro e Bolsonaro foram aplaudidos em Estádio.

No domingo passado a noite muita gente acreditava que isso podia derrubar o mercado, alguns apontaram a possibilidade de um ataque contra a reforma da previdência.


Mas o mercado ignorou, a credibilidade foi questionada e a reação da opinião pública foi o contrário do esperado: (i) Moro foi ovacionado em um estádio de futebol ao lado do presidente; (ii) Fux foi aplaudido dentro de um avião comercial; e (iii) a greve convocada pela esquerda para protestar foi um fiasco.


Só coloquei isso aqui para chamar atenção para outro ponto importante para quem investe: a força popular do governo é enorme! Essa popularidade é fundamental para o avanço das reformas a que o governo se propõe, isso é relevante.


Pois se o governo conseguir avançar, principalmente com a parte econômica, isso se refletirá muito positivamente nos preços a mercado: ações subindo e juros caindo ou ficando estáveis.


Leilão de Via Varejo foi um sucesso!


Na sexta tivemos o leilão de Via Varejo, em que o Grupo Pão de Açúcar saiu do controle colocando a venda suas mais de 30% de ações da empresa.


Samuel Klein garantiu que comprava tudo a R$ 4,75, mas vários investidores, inclusive grandes e respeitados fundos de ações, entraram comprando na frente e o leilão saiu a R$ 4,90. Fazendo com que o novo controlador (Klein) só conseguisse comprar 1,5% do que pretendia (ele já afirmou que vai continuar comprando, quer mais).


Quem me acompanha no grupo do WhatsApp não deve ter se surpreendido com essa procura pelas ações, todo mundo sabe que a empresa negocia a preços muito baixos em relação a seus concorrentes e a sua posição de mercado.


É óbvio que a empresa tem problemas, mas a entrada da nova administração deve trazer mudanças muito positivas para a empresa, o que deve melhorar o negócio, o que naturalmente será refletido no preço da ação. É compra óbvia para quem tem paciência de segurar por 6 meses ou mais.


Bolsonaro frita Levy em público, resultando na demissão


Já no final da semana o presidente disse em uma entrevista que não aguentava mais o Levy, presidente do BNDES, porque este não demitiu um assessor. Isso está no centro das notícias hoje e o mercado já discute se pode refletir no mercado durante a semana.


A forma como ele fez a demissão não foi legal, isso é óbvio, mas a razão é discutível, por duas razões: (i) o tal assessor é um profissional muito respeitado, mesmo que tenha trabalhado para os governos do PT (coisa que Levy e outros também fizeram); e (ii), principalmente, Levy não vinha cumprindo com as promessas de campanha de Bolsonaro, recusando-se a devolver dinheiro para o Tesouro Nacional e não vendendo os ativos do BNDES.


Particularmente, acredito que a segunda razão é mais plausível e, provavelmente, é a verdadeira, tanto é que o Guedes ficou calado. Mas o melhor ainda estava por vir: cogita-se Gustavo Franco ou Salim Mattar para o cargo.


Os dois são alinhadíssimos com a visão de Bolsonaro e de Guedes, além disso são profissionais ainda mais respeitados que Levy. Então, o mercado pode até ter uma queda no curto prazo, mas isso pode gerar uma oportunidade, em vez de ser motivo para cair forte. Ou, talvez seja como o vazamento do Moro, nem seja sentido no mercado.


Conclusão


Apesar de não ter gostado da forma como o Levy foi demitido e dos dados que estão vindo da Ásia, continuo achando que as perspectivas são boas para o Brasil. Todo mundo devia estar comprando ações de empresas prósperas e lucrativas.


Mas para a semana começo com um viés de baixa, entendo que deve haver turbulência em Brasília, principalmente na Comissão Especial. O que não me impede de mudar durante a semana, acompanha lá no Stories do Instagram que vou atualizando durante os dias.



Uma ótima semana para você, muito obrigado por ler meu texto e boa sorte!



31 visualizações
 

©2018 by Fred Pereira. Proudly created with Wix.com